De Rosamunde Pilcher. Livro cheio de belas descrições da Escócia, dos costumes, dos kilts, das temporadas de caça, da chegada de parentes, amigos e hóspedes que vêm sentir o cheiro das perdizes assadas, das urzes nas charnecas, o vento frio cortando, o azul de um céu imaculado. O tecer das histórias, todas em torno da personagem Violet, a avô, a mãe, a amiga e confidente de todos.
Numa pequena cidade da Escócia, em setembro, se prepara uma grande festa de aniversário de 21 anos de uma moça. Todos participam dos preparativos dessa festa e todos vêm, de longas distâncias, para festejar Ketty, a aniversariante. Em torno da motivação da festa, mil coisas acontecem. Uma proposta de casamento, um menino que foge do colégio, um casamento bem articulado que quase se desfaz. Violet que completa 77 anos e se sente de repente velha. E dança na festa pela última vez. Uma moça que volta para casa, sob o pretexto da festa, e se suicida, gerando mil interpretações. Mas a razão desse atentado contra a vida é inusitado e todos os que indiretamente estavam sendo culpados pelo ato cometido pela moça, são perdoados. O motivo era outro. Bem diferente, bem mais pessoal. Bem mais contundente.
As descrições do livro são belas. O caráter dos personagens, irretocável e sempre encontram um jeito de sair de suas ocupações e ajudar num preparo de festa, num almoço, e de consolar alguém quando estão diante de uma tragédia.
Vale a pena conferir.
sexta-feira, 24 de julho de 2015
sábado, 16 de maio de 2015
Violência e Paixão
Assisti, pela enésima vez, um filme cujo título é: Violência e Paixão, do cineasta italiano Luchino Visconti. Relata a história de um homem solitário, que vive numa casa imensa repleta de livros e obras de arte, acompanhado apenas de sua governanta.
Um dia, ele se vê forçado a alugar a parte de cima da casa para três jovens, uma garota e dois rapazes, insuflado pela mãe da menina. Com isso, termina o sossego do homem que se vê subitamente enredado nas contínuas brigas e reconciliações dos quatro personagens.
Certa noite ele está recolhido em seu quarto, lendo, quando escuta uma música altíssima vinda lá de cima. Injuriado, ele se veste e vai até lá. Encontra os três jovens despidos, chapados, dançando e se abraçando ao som de uma música de Roberto Carlos, A Distância, traduzida para o italiano, na linda voz de Iva Zanicchi.
O final do filme é surpreendente: o homem se acostuma ao rebuliço provocado pela nova família que invadiu sua casa e simplesmente não resiste quando, após um crime, as chaves do apartamento lhe são devolvidas. Vale ver a atuação de Burt Lancaster (o solitário) e da mãe da garota, Silvana Mangano.
Um dia, ele se vê forçado a alugar a parte de cima da casa para três jovens, uma garota e dois rapazes, insuflado pela mãe da menina. Com isso, termina o sossego do homem que se vê subitamente enredado nas contínuas brigas e reconciliações dos quatro personagens.
Certa noite ele está recolhido em seu quarto, lendo, quando escuta uma música altíssima vinda lá de cima. Injuriado, ele se veste e vai até lá. Encontra os três jovens despidos, chapados, dançando e se abraçando ao som de uma música de Roberto Carlos, A Distância, traduzida para o italiano, na linda voz de Iva Zanicchi.
O final do filme é surpreendente: o homem se acostuma ao rebuliço provocado pela nova família que invadiu sua casa e simplesmente não resiste quando, após um crime, as chaves do apartamento lhe são devolvidas. Vale ver a atuação de Burt Lancaster (o solitário) e da mãe da garota, Silvana Mangano.
quinta-feira, 14 de maio de 2015
Cecília Meireles, outra vez
MOTIVO
Eu canto porque o momento existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço, ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Outra Pérola de Cecília Meireles
És precária e veloz, felicidade
Custas a vir e quando vens não te demoras.
Foste tu que ensinaste aos homens que havia tempo
E, para te medir, se inventaram as horas.
Felicidade, és coisa estranha e dolorosa.
Fizeste para sempre a vida ficar triste:
porque um dia se vê que as horas todas passam
e um tempo, despovoado e profundo, persiste.
..............................................................
Percebam a coesão dos versos, a linguagem bem aplicada,
denotando o poeta ter profundo conhecimento da nossa língua. Observe-se o verso:
"E, para te medir, se inventaram as horas."
Esse se inventaram é maravilhoso...
Perceba-se, sobretudo, o laivo de amargor que existia na alma de Cecília Meireles, bem claro neste e no poema anterior que publiquei neste blog, em que ela decididamente não aceita a velhice, com seus calados, suas reclusões, as rugas, as mãos já não tão ágeis para tecer, para fazer o pão, para escrever. Mas com que elegância e tristeza ela se refere a esse momento da vida, quando as coisas se modificam fora e dentro do ser humano de modo inexorável.
Ainda Cecília Meireles
Eu não tinha este rosto de hoje
assim calmo, assim triste, assim magro
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?
segunda-feira, 11 de maio de 2015
Um poema de Cecília Meireles
"Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar. Por que
havemos de ser unicamente
humanos, limitados em chorar?
Não encontro caminhos fáceis
de andar. Meu rosto vário
desorienta as firmes pedras
estrela e mar. Por que
havemos de ser unicamente
humanos, limitados em chorar?
Não encontro caminhos fáceis
de andar. Meu rosto vário
desorienta as firmes pedras
que não sabem de água e de ar."
domingo, 10 de maio de 2015
Imagine viver num mundo assim, sonhado por John Lennon
Imagine – John Lennon
Imagine que não há
paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós
Acima de nós apenas o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje
Imagine não existir países
Não é difícil de fazer
Nada pelo que matar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz
Você pode dizer
Que sou um sonhador
Mas não sou o único
Tenho a esperança de que um dia
Você se juntará a nós
E o mundo será como um só
Imagine não existir posses
Me pergunto se você consegue
Sem necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade do Homem
Imagine todas as pessoas
Compartilhando todo o mundo
Você pode dizer
Que sou um sonhador
Mas não sou o único
Tenho a esperança de que um dia
Você se juntará a nós
E o mundo viverá
É fácil se você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós
Acima de nós apenas o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje
Imagine não existir países
Não é difícil de fazer
Nada pelo que matar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz
Você pode dizer
Que sou um sonhador
Mas não sou o único
Tenho a esperança de que um dia
Você se juntará a nós
E o mundo será como um só
Imagine não existir posses
Me pergunto se você consegue
Sem necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade do Homem
Imagine todas as pessoas
Compartilhando todo o mundo
Você pode dizer
Que sou um sonhador
Mas não sou o único
Tenho a esperança de que um dia
Você se juntará a nós
E o mundo viverá
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